Registros de uma Fonoaudióloga

11/11/2006

A Influência dos Medicamentos na Voz. 

Autoria: Izabel Viola e André Duprat.

Resumo do texto publicado em COSTA HO; ANDRADA MA. (Org.). Voz Cantada: evolução, avaliação e terapia fonoaudiológica. São Paulo: Lovise, 2000. 

  

Há uma grande variabilidade na resposta individual às drogas, tanto qualitativa como quantitativa, de acordo com diversos fatores como: idade, composição, tipo de função, herança genética, bioquímica, nível de stress, doença, interação droga/droga e status nutricional. O paciente deve sempre ser analisado individualmente.

 

I. Intenção

 

Efeito estimulante - anfetaminas, os andróginos, a cocaína, os hormônios tireoideanos, a cafeína, pequenas doses de álcool e a fenilpropanolamina (agente ativo dos descongestionantes nasais sistêmicos e de medicamentos para diminuir o apetite). Ação na fala e na voz – aceleração do ritmo e prosódia insegura e muitas vezes desequilibrada. Pela labilidade emocional a voz é de intensidade não compatível com o contexto - mais intensa que o esperado - além de exprimir um maior nervosismo com tremor na emissão e articulação mais fechada. A extensão e a tessitura vocal tendem a ficar mais restrita embora o uso preferencial de registros mais elevados, mudanças na intensidade e maior variação na curva melódica, se não exageradas, confiram outra impressão à emissão.

Efeito sedativo - tranqüilizantes (benzodiapínicosezinas), betabloqueadores, antidistônicos, álcool, barbitúricos e maconha. Ação na fala e na voz – diminuição da velocidade da fala e da intensidade vocal. Pouca  variação na curva melódica, qualidade monótona e registro mais basal.

 

 

II. Coordenação

 

A coordenação geral, oferecida pelo cerebelo, representa a interação e integração entre os diversos sistemas que atuam no momento da fala: gerência a produção da pressão expiatória gerada nos pulmões, a movimentação e o tônus de oclusão glótica, a movimentação da faringe, palato, língua e mandíbula, ressonância e articulação.

 

Derivados dos opiáceos,  barbitúricos, álcool e maconha - ação sinérgica da coordenação. Agentes antipsicóticos ou tranqüilizantes como o chlorpromazine, thioridazine e o haloperidol - tremor vocal. 

Benzodiazepínicos - ativação da musculatura laríngea e respiratória.

      

III. Aferência

 

Analgésicos sistêmicos ou locais (spray, inalantes ou pastilhas) – prejuízo na percepção  proprioceptiva e nos ajustes finos da articulação e da voz e diminuição da sensibilidade dolorosa.

 

(Continuação abaixo)
Escrito por Izabel Viola às 18h07
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Continuação (II parte) - A Influência dos Medicamentos na Voz. 

 

 

IV.  Tônus Muscular

 

1) a musculatura inspiratória e expiratória - diminuição da capacidade vital e do tempo de fonação, prejuízo da pressão subglótica comprometendo a intensidade e a qualidade vibratória.

2) musculatura abdominal - tempo de emissão e estabilidade do som.

3) musculatura laríngea e cervical - modifica a altura da laringe, alongamento e encurtamento das ppvv e a eficiência do fechamento glótico. O aumento de massa nas ppvv e/ou no trato ressonantal faríngeo gera voz mais grave  e rouca. O aumento de tônus (por rigidez ou hiperconstrição) resultará em voz mais aguda, de qualidade estridente e /ou ásperas.

4) musculatura articulatória - precisão dos fonemas e da musculatura do esfíncter velofaríngeo (alteração de  ressonância, ou seja, excessiva nasalização).

 

Diminuição de estrógeno - redução de massa do músculo tireoariteinoideo (leva a fenda fusiforme típica) na menopausa causa maior fadiga vocal e agravamento da voz.

Aumento de testosterona – (carcinoma de mama,  endometriose) - aumento de massa muscular e diminuição da tensão - virilização da voz: redução da freqüência fundamental e de harmônicos.

Corticóides - (asmáticos) fraqueza e fatigabilidade muscular – fonastenia

Aspartato arginina - aumento da massa muscular

 

V.  Vibração 

 

Antihistaminicos, doses elevadas vitamina C (ressecamento), betabloqueadores, diuréticos, drogas antidepressivas  e  antitussígenas - Má lubrificação gera secreção espessa - mais aderente, podendo ocasionar sensação de corpo estranho, pigarro ou tosse e dificuldades na articulação. Acúmulo de líquido no espaço de Reinke – prejuízo na vibração e rebaixando o pitch.

 Beta bloqueadores - aumento do volume das ppvv.

 Antiinflamatórios não hormonais e anticoncepcionais orais – predispõe a hematomas das ppvv, quando associado ao abuso vocal.

 

Final do texto


Escrito por Izabel Viola às 18h07
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08/11/2006

Efeitos da Contaminação Atmosférica sobre a Voz. Estudo na cidade do México em grupos de alto risco

Comentarista da Conferência no
I Congresso Luso-Brasileiro de Otorrinolaringologia, IV Congresso Brasileiro de

Laringologia e Voz e II Encontro Brasileiro de Canto

03 de dezembro de 1997

São Paulo - SP

 

Diversos  trabalhos com voz profissional no Brasil apontam para o alto índice de fumantes e queixas ligadas ao ressecamento das vias aéreas superiores: boca seca,  coceira, secreção espessa e ardor, mas não há dados que relacionam diretamente tal ressecamento com a poluição ambiental. Num trabalho com profissionais da voz realizado por mim, verificamos que, com o uso de líquidos mornos ou quentes, ingeridos ou usados como gargarejo, os entrevistados relataram sensações corporais de (1) desobstrução da região oral e faríngea (descritas como, abre a garganta, aumento dos espaços, liberta uma coisa presa, descongestiona, desincha, solta e limpa a secreção); (2) ressecamento (boca seca, gosma grossa) e (3) hidratação (saliva fica fluída, lubrifica a garganta) e higienização (refresca, desinfeta).

Devemos discutir a questão dos métodos de pesquisa para investigarmos se as alterações vocais estão relacionadas de fato com a poluição do ar, com quais componentes dela e a gravidade de cada um. Minha hipótese é que estes dados não devem ser alarmantes, mas sim existentes, visto o comportamento sazonal dos poluentes (valores de O3­ são mais altos na primavera) e variação dos horários e duração dos episódios dos níveis críticos são relacionados às condições meteorológicas (vento, umidade e temperatura). No Brasil, o ano de 1997 foi um ano de muita seca.

No período crítico para a dispersão dos poluentes (de maio a agosto, no inverno), os jornais divulgaram notícias alarmantes sobre o aumento das doenças respiratórias e oculares, tanto que a CETESB prolongou a operação rodízio na cidade de São Paulo.

A CETESB (COMPANHIA DE TECNOLOGIA DE SANEAMENTO AMBIENTAL) relaciona as seguintes substancias com efeito direto na mucosa do trato respiratório: 

OZONIO - ressecamento da mucosa com irritação e desordem no transporte do muco; envelhecimento precoce, danos na estrutura pulmonar e facilita infecção respiratória.

DIOXIDO DE NITROGENIO E ENXOFRE - produzem irritação e causam coceira no nariz e garganta e dor de garganta

ENXOFRE - (VARIAÇÃO DE SENSIBILIDADE INDIVIDUAL) - exposição prolongada causa morbidade cardiovascular em pessoas idosas.

Estes dados são suficientes para indicar que o ressecamento das vias aéreas superiores deva merecer mais atenção dos fonoaudiólogos e médicos que se dedicam ao estudo da voz.


Escrito por Izabel Viola às 21h09
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05/11/2006

FERREIRA, L. P.; VIOLA, I. C. Era Uma Vez ... A Voz. São Paulo: Pró-Fono, 2000.  FERREIRA, L. P.; VIOLA, I. C. Era Uma Vez ... A Voz. São Paulo: Pró-Fono, 2000.

A escassez de material, que na prática clínica pudesse auxiliar o fonoaudiólogo a tratar de crianças com problemas de voz, mobilizou as professoras Léslie Piccolotto Ferreira e Izabel Cristina Viola a criarem histórias em verso e prosa que, ao serem contadas ou cantadas, trazem à cena os diferentes aspectos que compõem a voz humana.
Esses aspectos vão sendo apresentados em várias situações de uso, possibilitando que leitores de qualquer idade, mergulhem no mundo da imaginação infantil, fazendo das histórias uma nova possibilidade de criação.

http://www.profono.com.br                                                     http://www.livrariarodelu.com.br


Escrito por Izabel Viola às 20h06
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