Registros de uma Fonoaudióloga


14/06/2011


Sumário

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Som e Sentido - texto publicado em 2006 

O GESTO VOCAL: a arquitetura de um ato teatral – 21/02/2007texto de 2006

A Influência dos Medicamentos na Voz.  Parte I e II - 11/11/2006 - Texto de 2000. 

Efeitos da Contaminação Atmosférica sobre a Voz. Estudo na cidade do México em grupos de alto risco –08/11/2006 (Texto de 1997)

Era uma vez .... a voz. 05/11/2006 (Livro de 2000)

Som e sentido, caminho de mão dupla. 24/09/2006 (Texto de 2006)

Efeito expressivo das variantes estilísticas do /r/ - 24/09/2006 (Texto de 2006)

Preceitos, conseqüências e sugestões no entendimento da expressividade oral 24/09/2006 – Parte I e II. (Texto de 2005)

Estilos de fala em diferentes usos profissionais - 24/09/2006 (Texto de 2003)

Voz e Ambiente - 24/09/2006 (Texto de 2003)

Biossegurança: Proposta para o Estabelecimento de Rotina em Audiologia.  24/09/2006 (Texto de 2002)

A carreira docente e alteração vocal: dados de freqüência, início e quantidade de fala diária - 15/09/2006 (Texto de 2002)

É possível desenvolver sua capacidade de falar bem? e ao público? - 15/09/2006 (Texto de 2002)

Escrito por Izabel Viola às 18h34
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Som e sentido, caminho de mão dupla

Os sons têm forte influência sobre o psiquismo, desde sempre. Se numa época, os sons da natureza eram tidos como manifestações do divino e de seus deuses, ora temidos, ora não, em outros tempos, a música ofereceu ao homem a possibilidade do encontro com o divino. Os grandes compositores arranjam as notas e seus arranjos, emocionam. E a fala? O que os sons da fala, independentes dos arranjos em unidades, transmitem? 

Canto e fala, ambos, realizados pela voz humana, são o som projetado no espaço em forma de onda, acolhido pelo ouvido e interpretado pelo cérebro.

Da fisiologia corporal, a voz é produzida no laringe pela vibração das pregas vocais provocada pelo ar expelido dos pulmões, mas que sem a articulação da boca e o comando cerebral, seria apenas um som. Os sons têm valor na comunicação e não são exclusivos do homem. Todos os animais se comunicam com sons não verbais e movimentos corporais, mas a linguagem verbal, ou seja, a linguagem sonorizada em palavras foi fruto da evolução do cérebro nas espécies.

Pela linguagem sonorizada os homens se comunicam e se relacionam. Dizem coisas uns aos outros. Contudo, ao falar os homens, de forma menos explicita, falam de si. Muitos elementos da fala evidenciam as características psicológicas, sociais e culturais do locutor. Vejamos alguns deles:

A pronúncia dos sons e o vocabulário podem revelar a origem geográfica e a classe social do falante, como o /r/ intercalado de porta ser típico do carioca  ou do interior de São Paulo.

A voz revela intenções e emoções. Por ser dinâmica, flexível e adaptável, a voz molda as frases e transmite emoções conscientes e inconscientes como ocorre, por exemplo, ao se falar um simples Alô (ao se telefonar). É possível ao ouvinte inferir se o falante está alegre, triste, cansado, com pressa, contrariado etc.

Estes sentidos são dados pelo tipo e dinâmica da voz empregada nas palavras pela entoação, pausas, velocidade e intensidade. É a música da voz.

As emoções que a voz nos causa remontam nossa história de vida e provocam sensações no corpo, muitas vezes, indescritíveis e particulares. Algumas referências são mais unânimes outras não. Há maior consenso na definição de voz tensa, suave, triste, infantil e apertada, do que vozes sensual, antipática e viril, que são impressões mais subjetivas.

Quando as palavras não combinam com dinâmica, elas causam impressões contraditórias e estranheza, que podem ser traduzidas na conhecida frase: não é o que você disse, mas sim como você disse!

Desta forma, a expressividade da fala é a possibilidade de usar os sons de forma simbólica, traçando paralelos e associações, com os símbolos com que convivemos na cultura e que ficam arraigados em nosso consciente e inconsciente.

O som faz sentido e o sentido faz som. Do som, novos sentidos se produzem, os quais produzirão novos sons... E assim, continuamente... Em conversas entre pessoas, sentidos vão sendo construídos com as palavras se alinhavando nos silêncios. Os sentidos perpassam as formas sonoras nos sons, no canto e na fala.  

Escrito por Izabel Viola às 18h34
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21/02/2007


O GESTO VOCAL: a arquitetura de um ato teatral

Tese de doutorado em Lingüística Aplicada e Estudos da Linguagem, PUC_SP, 2006

 

Esta tese tem como objetivo enfocar os elementos que constroem as relações entre som e sentido na fala, contribuindo teórica e metodologicamente para a análise da expressividade oral. O simbolismo sonoro, o estilo e a expressão de emoções e atitudes são discutidos do ponto de vista da fala. Os modelos de comunicação “A Viva Voz” e da “Covariância e da Configuração” apóiam a interpretação do potencial expressivo da fala. O corpus é constituído pelo poema de “I-Juca Pirama”, interpretado por um ator profissional, e a análise dos dados é realizada por uma combinação das análises perceptivo-auditiva e fonético-acústica e pelo pareamento entre materialidade fônica e o sentido. As análises qualitativas abarcam o estudo das qualidades de voz, dos alofones do /r/, da “loudness” e de seus usos expressivos. As análises quantitativas abrangem as medidas de duração em ms em segmentos, sílabas, GIPC, silêncios, ruídos inspiratórios e enunciados e medidas de freqüência fundamental (f0) das vogais em palavras e enunciados. São analisados aspectos rítmicos, entoacionais, de continuidade e de taxa de elocução e articulação. A confrontação de contornos de duração e f0 é utilizada para a interpretação dos dados da análise prosódica. Pautamo-nos pela concepção de que o vínculo entre som e sentido na fala é de natureza motivada ou arbitrária, usado de forma consciente ou inconsciente, estabelecido historicamente e modificado constantemente na cultura, pelos processos de desmotivação e remotivação do signo. O indivíduo suscita na atividade prática os índices de caráter gestual, denominados de gestos vocais, que são compostos pela interação (e impossível dissociação) dos elementos prosódicos (qualidade e dinâmica da voz) com os segmentos fonéticos (vogais e consoantes) e sons não verbais produzidos na comunicação (ruídos respiratórios, sons bucais e linguais). Enquanto movimentos corporais, de uma ou mais estruturas do trato vocal que se deslocam no tempo e no espaço, de forma sincrônica ou não, os gestos vocais são utilizados para reduzir imediatamente a tensão e podem ser a reprodução voluntária ou assinalar a presença de uma emoção. Enquanto elementos simbólicos, os gestos vocais pertencem ao sistema total de signos expressivos que respondem a um simbolismo sonoro universal, podendo representar outros objetos animados ou inanimados que lhes são associados pela semelhança ou por uma analogia funcional, e podem assumir uma determinada configuração e/ou estão sujeitos à ativação do organismo, ao veicular uma informação lingüística ou uma emoção ou atitude. Os gestos vocais, enquanto fatos estilísticos, são representantes da dialogia da língua e são uma marca prática do trabalho do locutor, que exibe sua singularidade e sua subjetividade, de forma recorrente e saliente no discurso, construindo e sendo constituídos pelo sentido, ora no papel principal ora como coadjuvante. Os gestos vocais são os elementos fisiológicos e lingüísticos dinâmicos que efetivam na expressão do indivíduo as demandas contextuais e subjetivas que refletem a variabilidade da língua e, por isso, integram a voz no universo da linguagem.

Escrito por Izabel Viola às 08h54
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11/11/2006


A Influência dos Medicamentos na Voz. 

Autoria: Izabel Viola e André Duprat.

Resumo do texto publicado em COSTA HO; ANDRADA MA. (Org.). Voz Cantada: evolução, avaliação e terapia fonoaudiológica. São Paulo: Lovise, 2000. 

  

Há uma grande variabilidade na resposta individual às drogas, tanto qualitativa como quantitativa, de acordo com diversos fatores como: idade, composição, tipo de função, herança genética, bioquímica, nível de stress, doença, interação droga/droga e status nutricional. O paciente deve sempre ser analisado individualmente.

 

I. Intenção

 

Efeito estimulante - anfetaminas, os andróginos, a cocaína, os hormônios tireoideanos, a cafeína, pequenas doses de álcool e a fenilpropanolamina (agente ativo dos descongestionantes nasais sistêmicos e de medicamentos para diminuir o apetite). Ação na fala e na voz – aceleração do ritmo e prosódia insegura e muitas vezes desequilibrada. Pela labilidade emocional a voz é de intensidade não compatível com o contexto - mais intensa que o esperado - além de exprimir um maior nervosismo com tremor na emissão e articulação mais fechada. A extensão e a tessitura vocal tendem a ficar mais restrita embora o uso preferencial de registros mais elevados, mudanças na intensidade e maior variação na curva melódica, se não exageradas, confiram outra impressão à emissão.

Efeito sedativo - tranqüilizantes (benzodiapínicosezinas), betabloqueadores, antidistônicos, álcool, barbitúricos e maconha. Ação na fala e na voz – diminuição da velocidade da fala e da intensidade vocal. Pouca  variação na curva melódica, qualidade monótona e registro mais basal.

 

 

II. Coordenação

 

A coordenação geral, oferecida pelo cerebelo, representa a interação e integração entre os diversos sistemas que atuam no momento da fala: gerência a produção da pressão expiatória gerada nos pulmões, a movimentação e o tônus de oclusão glótica, a movimentação da faringe, palato, língua e mandíbula, ressonância e articulação.

 

Derivados dos opiáceos,  barbitúricos, álcool e maconha - ação sinérgica da coordenação. Agentes antipsicóticos ou tranqüilizantes como o chlorpromazine, thioridazine e o haloperidol - tremor vocal. 

Benzodiazepínicos - ativação da musculatura laríngea e respiratória.

      

III. Aferência

 

Analgésicos sistêmicos ou locais (spray, inalantes ou pastilhas) – prejuízo na percepção  proprioceptiva e nos ajustes finos da articulação e da voz e diminuição da sensibilidade dolorosa.

 

(Continuação abaixo)

Escrito por Izabel Viola às 17h07
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Continuação (II parte) - A Influência dos Medicamentos na Voz. 

 

 

IV.  Tônus Muscular

 

1) a musculatura inspiratória e expiratória - diminuição da capacidade vital e do tempo de fonação, prejuízo da pressão subglótica comprometendo a intensidade e a qualidade vibratória.

2) musculatura abdominal - tempo de emissão e estabilidade do som.

3) musculatura laríngea e cervical - modifica a altura da laringe, alongamento e encurtamento das ppvv e a eficiência do fechamento glótico. O aumento de massa nas ppvv e/ou no trato ressonantal faríngeo gera voz mais grave  e rouca. O aumento de tônus (por rigidez ou hiperconstrição) resultará em voz mais aguda, de qualidade estridente e /ou ásperas.

4) musculatura articulatória - precisão dos fonemas e da musculatura do esfíncter velofaríngeo (alteração de  ressonância, ou seja, excessiva nasalização).

 

Diminuição de estrógeno - redução de massa do músculo tireoariteinoideo (leva a fenda fusiforme típica) na menopausa causa maior fadiga vocal e agravamento da voz.

Aumento de testosterona – (carcinoma de mama,  endometriose) - aumento de massa muscular e diminuição da tensão - virilização da voz: redução da freqüência fundamental e de harmônicos.

Corticóides - (asmáticos) fraqueza e fatigabilidade muscular – fonastenia

Aspartato arginina - aumento da massa muscular

 

V.  Vibração 

 

Antihistaminicos, doses elevadas vitamina C (ressecamento), betabloqueadores, diuréticos, drogas antidepressivas  e  antitussígenas - Má lubrificação gera secreção espessa - mais aderente, podendo ocasionar sensação de corpo estranho, pigarro ou tosse e dificuldades na articulação. Acúmulo de líquido no espaço de Reinke – prejuízo na vibração e rebaixando o pitch.

 Beta bloqueadores - aumento do volume das ppvv.

 Antiinflamatórios não hormonais e anticoncepcionais orais – predispõe a hematomas das ppvv, quando associado ao abuso vocal.

 

Final do texto

Escrito por Izabel Viola às 17h07
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08/11/2006


Efeitos da Contaminação Atmosférica sobre a Voz. Estudo na cidade do México em grupos de alto risco

Comentarista da Conferência no
I Congresso Luso-Brasileiro de Otorrinolaringologia, IV Congresso Brasileiro de

Laringologia e Voz e II Encontro Brasileiro de Canto

03 de dezembro de 1997

São Paulo - SP

 

Diversos  trabalhos com voz profissional no Brasil apontam para o alto índice de fumantes e queixas ligadas ao ressecamento das vias aéreas superiores: boca seca,  coceira, secreção espessa e ardor, mas não há dados que relacionam diretamente tal ressecamento com a poluição ambiental. Num trabalho com profissionais da voz realizado por mim, verificamos que, com o uso de líquidos mornos ou quentes, ingeridos ou usados como gargarejo, os entrevistados relataram sensações corporais de (1) desobstrução da região oral e faríngea (descritas como, abre a garganta, aumento dos espaços, liberta uma coisa presa, descongestiona, desincha, solta e limpa a secreção); (2) ressecamento (boca seca, gosma grossa) e (3) hidratação (saliva fica fluída, lubrifica a garganta) e higienização (refresca, desinfeta).

Devemos discutir a questão dos métodos de pesquisa para investigarmos se as alterações vocais estão relacionadas de fato com a poluição do ar, com quais componentes dela e a gravidade de cada um. Minha hipótese é que estes dados não devem ser alarmantes, mas sim existentes, visto o comportamento sazonal dos poluentes (valores de O3­ são mais altos na primavera) e variação dos horários e duração dos episódios dos níveis críticos são relacionados às condições meteorológicas (vento, umidade e temperatura). No Brasil, o ano de 1997 foi um ano de muita seca.

No período crítico para a dispersão dos poluentes (de maio a agosto, no inverno), os jornais divulgaram notícias alarmantes sobre o aumento das doenças respiratórias e oculares, tanto que a CETESB prolongou a operação rodízio na cidade de São Paulo.

A CETESB (COMPANHIA DE TECNOLOGIA DE SANEAMENTO AMBIENTAL) relaciona as seguintes substancias com efeito direto na mucosa do trato respiratório: 

OZONIO - ressecamento da mucosa com irritação e desordem no transporte do muco; envelhecimento precoce, danos na estrutura pulmonar e facilita infecção respiratória.

DIOXIDO DE NITROGENIO E ENXOFRE - produzem irritação e causam coceira no nariz e garganta e dor de garganta

ENXOFRE - (VARIAÇÃO DE SENSIBILIDADE INDIVIDUAL) - exposição prolongada causa morbidade cardiovascular em pessoas idosas.

Estes dados são suficientes para indicar que o ressecamento das vias aéreas superiores deva merecer mais atenção dos fonoaudiólogos e médicos que se dedicam ao estudo da voz.

Escrito por Izabel Viola às 20h09
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05/11/2006


FERREIRA, L. P.; VIOLA, I. C. Era Uma Vez ... A Voz. São Paulo: Pró-Fono, 2000.  FERREIRA, L. P.; VIOLA, I. C. Era Uma Vez ... A Voz. São Paulo: Pró-Fono, 2000.

A escassez de material, que na prática clínica pudesse auxiliar o fonoaudiólogo a tratar de crianças com problemas de voz, mobilizou as professoras Léslie Piccolotto Ferreira e Izabel Cristina Viola a criarem histórias em verso e prosa que, ao serem contadas ou cantadas, trazem à cena os diferentes aspectos que compõem a voz humana.
Esses aspectos vão sendo apresentados em várias situações de uso, possibilitando que leitores de qualquer idade, mergulhem no mundo da imaginação infantil, fazendo das histórias uma nova possibilidade de criação.

http://www.profono.com.br                                                     http://www.livrariarodelu.com.br

Escrito por Izabel Viola às 19h06
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24/09/2006


Som e sentido, caminho de mão dupla.

Publicado no jornal O Tablóide, ano1, n. 11, set 2006, Jacareí SP

 

Os sons têm forte influência sobre o psiquismo, desde sempre. Se numa época, os sons da natureza eram tidos como manifestações do divino e de seus deuses, ora temidos, ora não, em outros tempos, a música ofereceu ao homem a possibilidade do encontro com o divino. Os grandes compositores arranjam as notas e seus arranjos, emocionam. E a fala? O que os sons da fala, independentes dos arranjos em unidades, transmitem? 

Canto e fala, ambos, realizados pela voz humana, são o som projetado no espaço em forma de onda, acolhido pelo ouvido e interpretado pelo cérebro.

Da fisiologia corporal, a voz é produzida no laringe pela vibração das pregas vocais provocada pelo ar expelido dos pulmões, mas que sem a articulação da boca e o comando cerebral, seria apenas um som. Os sons têm valor na comunicação e não são exclusivos do homem. Todos os animais se comunicam com sons não verbais e movimentos corporais, mas a linguagem verbal, ou seja, a linguagem sonorizada em palavras foi fruto da evolução do cérebro nas espécies.

Pela linguagem sonorizada os homens se comunicam e se relacionam. Dizem coisas uns aos outros. Contudo, ao falar os homens, de forma menos explicita, falam de si. Muitos elementos da fala evidenciam as características psicológicas, sociais e culturais do locutor. Vejamos alguns deles:

A pronúncia dos sons e o vocabulário podem revelar a origem geográfica e a classe social do falante, como o /r/ intercalado de porta ser típico do carioca  ou do interior de São Paulo.

A voz revela intenções e emoções. Por ser dinâmica, flexível e adaptável, a voz molda as frases e transmite emoções conscientes e inconscientes como ocorre, por exemplo, ao se falar um simples Alô (ao se telefonar). É possível ao ouvinte inferir se o falante está alegre, triste, cansado, com pressa, contrariado etc.

Estes sentidos são dados pelo tipo e dinâmica da voz empregada nas palavras pela entoação, pausas, velocidade e intensidade. É a música da voz.

As emoções que a voz nos causa remontam nossa história de vida e provocam sensações no corpo, muitas vezes, indescritíveis e particulares. Algumas referências são mais unânimes outras não. Há maior consenso na definição de voz tensa, suave, triste, infantil e apertada, do que vozes sensual, antipática e viril, que são impressões mais subjetivas.

Quando as palavras não combinam com dinâmica, elas causam impressões contraditórias e estranheza, que podem ser traduzidas na conhecida frase: não é o que você disse, mas sim como você disse!

Desta forma, a expressividade da fala é a possibilidade de usar os sons de forma simbólica, traçando paralelos e associações, com os símbolos com que convivemos na cultura e que ficam arraigados em nosso consciente e inconsciente.

O som faz sentido e o sentido faz som. Do som, novos sentidos se produzem, os quais produzirão novos sons... E assim, continuamente... Em conversas entre pessoas, sentidos vão sendo construídos com as palavras se alinhavando nos silêncios. Os sentidos perpassam as formas sonoras nos sons, no canto e na fala. 

Escrito por Izabel Viola às 16h49
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EFEITO EXPRESSIVO DAS VARIANTES ESTILÍSTICAS DO /r/

São Paulo, Revista Intercâmbio, v.XV, 2006 - http://www.pucsp.br/pos/lael/intercambio/pdf/Viola.pdf

 

ABSTRACT:   This work discusses the stylistical uses of the /r/ variation orally expressed in the poem “I-Juca Pirama”. The variation can evolve as a dynamic unit in a continuum (friction-vibration) by using a multiple alveolar trill and a glottal fricative when manifesting anger and sadness in the speech.

 

KEYWORDS: Articulatory gestures; Phoneme /r/; Stylistics; Variants.

 

O objetivo deste trabalho é discutir os usos estilísticos das variantes do fonema /r/ na interpretação em forma de ato teatral, do poema “I Juca Pirama”, de Gonçalves Dias, por um ator profissional. No Português Brasileiro, o fonema /r/ ocorre no início e final de sílaba, em ataque e coda.  Quando em posição medial de palavra entre vogais, opõe-se ao /ɾ/ (carro-caro, por exemplo), mas quando em posição de coda silábica, essa oposição desaparece. São condicionantes das variações da pronúncia do /r/ os fatores lingüísticos, extralingüísticos e paralingüísticos. Neste trabalho, o foco é nas variantes determinadas por aspectos paralingüísticos, mais especificamente, investigar o uso das variantes de /r/, em relação à expressão de emoções e atitudes. Concluímos que a variante /r/ tomada como unidade dinâmica, como um gesto articulatório que pode variar num contínuo entre a fricção e a vibração (inclusive com mais ou menos vibrações) está ao dispor da expressividade do locutor. Esta flexibilidade articulatória põe o som em evidência e permite ao locutor simbolicamente materializar suas emoções deslizando entre dois pólos. De um lado, expressa a agressividade no alongamento de uma variante vibrante e marca suas batidas fortemente. No pólo oposto, expressa a tristeza usando numa variante fricativa glotal, que enfraquece e desaparece suavemente.

Escrito por Izabel Viola às 10h51
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PRECEITOS, CONSEQÜÊNCIAS E SUGESTÕES NO ENTENDIMENTO DA EXPRESSIVIDADE ORAL

 In: XIII Congresso Brasileiro de Fonoaudiologia, 2005, Santos - SP.

 

Parte II- continuação do texto anterior

 

 Particularizando o vínculo entre fala e voz, não é possível pensar em uma sem pensar na outra. A dissociação só se justificaria se as características fonéticas dos sons pudessem ser determinadas sem ser a partir da sincronização entre o gesto glotal e os articuladores. Pode-se entender que os termos “expressividade da fala” e “expressividade da voz” são usados não porque se pense em fala dissociada da voz, mas em decorrência de maior ênfase, em alguns aspectos prosódicos (acentuais, entoacionais, ritmo, taxa de elocução e pausas) ou em qualidade de voz. Defendo a adoção do termo expressividade oral, por não carregar uma ou outra acepção (fala-voz), mas por se referir “ao som que sai da boca” (etimologicamente do radical latino os, oris ”boca”). Em outras palavras, ao som composto por uma gama de freqüência de vibração (harmônicos e ruídos), que se realiza em espaços de tempo, que é moldado articulatoriamente, que se projeta com determinada intensidade em direção ao espaço e que se realiza no ouvido do outro, com as propriedades acústicas integrando as palavras. Deve ser considerado nas ações fonoaudiólogicas o conceito de gênero do discurso primário (familiar e cotidiano) e secundário (retórico, cientifico, literário, ideológico, etc) (Bakthtin,1997). Na Fonoaudiologia, o gênero foi não explicitado dessa forma, mas foi referido como linguagem coloquial e profissional e, posteriormente também, como variações estilísticas em diferentes tarefas de fala (Viola, 2003), ou seja, variações de fala em diferentes gêneros. Como os gêneros são enunciados relativamente estáveis do ponto de vista temático, composicional e estilístico são esperadas variações na expressão oral intra-sujeito na mudança de gênero, como já conhecemos. Agora o desafio tem sido estudar as variações estilísticas de um individuo em textos de um mesmo gênero e as variações estilísticas de um gênero intersujeitos. Portanto, o uso do conceito bakthiniano nos ajuda entender as diferentes áreas de pesquisa e atuação. Não se deve enveredar por caminhos de treinamento da expressividade oral, onde haja dissociação da expressão, do sentido e da situação de comunicação, em busca de normas e padrões, como os descritos e preconizados coletivamente nos treinamentos de oratória. Esses focam as situações de comunicação e as ações do orador, como se todos oradores se expressassem da mesma forma e fossem beneficiados pelas mesmas regras e normas. Tanto na pesquisa como na atuação em assessoria ou clinica fonoaudiológica, as ações do fonoaudiólogo com a expressividade devem instrumentalizar e proporcionar situações de autoconhecimento.

Referências Bibliográficas

Bakhtin MM. Estética da criação verbal. São Paulo: Martins Fontes; 1997.

Fónagy I. La vive voix. Paris: Payot; 1983.

Laver J. Principles of phonetics. Cambridge: Cambridge University Press; 1994.

Viola IC. Estilos de fala em diferentes usos profissionais. In: XI Congresso Brasileiro de Fonoaudiologia; 2003; Ceará. Anais. São Paulo: Sociedade Brasileira de Fonoaudiologia; 2003.

 

Escrito por Izabel Viola às 10h35
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PRECEITOS, CONSEQÜÊNCIAS E SUGESTÕES NO ENTENDIMENTO DA EXPRESSIVIDADE ORAL

 In: XIII Congresso Brasileiro de Fonoaudiologia, 2005, Santos - SP.

 

Parte I - ver continuação

 

Durante a conversação três tipos de informações transitam entre os interlocutores (Laver, 1994). As informações indexicais (do tipo índice, segundo a classificação semiótica de Pierce) acompanham o significado direto da expressão falada (informação semântica) e revelam as características pessoais do falante (sexo, idade, condições físicas e estado de saúde), as marcas sociais (afiliação regional, nível educacional, ocupação e papel social) e as marcas psicológicas (personalidade, estado afetivo e humor). Os participantes usam ainda as informações regulativas do canal visual (movimentos de cabeça e contato de olho) e da própria fala (entoação e sincronismo) para controlar a interação. Essas informações atendem as necessidades expressivas do locutor. A palavra “expressão” carrega os sentidos de apertar com força (espremer) e o significado de reproduzir (representar, retratar, exprimir, dizer, expor e enunciar claramente). Dessa forma, a definição de Fónagy (1983), quando diz que a expressão é ex-pressão ou eliminação de tudo o que cria tensão é muito pertinente. Do ponto de vista do falante, o objetivo da expressão é eliminar as tensões internas (natureza sintomática) e neste processo, reproduzir tais tensões em comportamentos (natureza simbólica), que se manifestam por meio de signos visuais, auditivos e táteis. As gestualidades oral e corporal são integradas não só em movimentos evidentes (como os da face, das mãos, cabeça e do restante do corpo), mas também em posturas e movimentos mais sutis da glote e dos articuladores. Um gesto reforça o outro. A incompatibilidade ou a não simultaneidade entre os gestos ou entre os gestos e o sentido do discurso revelam e reproduzem o conflito do falante.  Por exemplo, o pregador que eleva a cabeça e olha ao redor durante a fala emocionada de uma oração; um acusado que mantém esboçado um sorriso no rosto; um orador com gama entoacional restrita que se movimenta demais no espaço, ou ainda, um orador de voz áspera numa situação de fala educacional. A gestualidade oral alia-se a natureza motivada dos fonemas e as modificações prosódicas para compor o simbolismo da expressividade oral.  É a simbolização acústica de fenômenos não acústicos, como ocorre quando determinados segmentos (vogais e consoantes) e suprassegmentos (padrões de entoação, qualidade de voz, variações de duração, loudness e continuidade) são escolhidos para representar propriedades dos objetos (tamanho, cor, espessura, peso, textura, etc), sexo (como vogais masculinas e femininas), atitudes (carinho, erotismo) e emoções. Nessa área um vasto campo de pesquisa abre-se e nos dá base para entender a miúde a construção da expressividade. A interpretação semântica da palavra por fenômenos acústicos é um dos pilares. Citando alguns exemplos: o alongamento vocálico em palavras como “longe”, “enorme” e “lindo”; o uso de uma voz suave e aguda na palavra “meigo”; o uso de voz grave e curva entoacional plana na frase “noite lúgubre e medonha” ou a realização de ataque vocal brusco ou bloqueio no /t/ na palavra “entalar”.  Contudo, sentido similar também pode ser atribuído pelo uso desses recursos acústicos (alongamento, qualidade de voz, entoação e tensão articulatória) em palavras e frases onde a informação semântica não esteja explicitada. Exemplo mais óbvio destes casos é a ironia. Deste ponto de vista, não se deve atribuir ao termo “expressividade” somente as qualidades de alegria, confiança, dinamismo, credibilidade e/ou naturalidade. Esses ressaltam somente um aspecto da fala expressiva, o aspecto positivo, em detrimento da transmissão de emoções e atitudes de natureza negativa. 

Escrito por Izabel Viola às 10h34
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Estilos de fala em diferentes usos profissionais

In: XI Congresso Brasileiro de Fonoaudiologia; 2003; Ceará. Anais. São Paulo: Sociedade Brasileira de Fonoaudiologia; 2003.

 

Dentre os trabalhos produzidos na área de voz profissional no Brasil, encontramos alguns que marcam as diferenças entre as falas coloquial e profissional. As bases teóricas dessa discussão vêem da Lingüista, que registra as diferenças nos estilos de fala para diversas situações de comunicação (persuasão, narração, informação e leitura) e da Fonoaudiologia, pelos trabalhos de Ferreira (1989, 1990, 1995), que discute a relação voz e os papéis sociais desempenhados no dia-a-dia.

O estilo é considerado uma marca do individual que o falante deixa na sua atividade de fala pelas escolhas lingüísticas que realiza para veicular sentido, e, portanto, neste elo indissociável entre forma e conteúdo, ele resgata a individuação e variabilidade do código, a incorporação do social e do afetivo. 

O objetivo deste trabalho é analisar os estilos de fala em diferentes sujeitos estando esses em diferentes tarefas de fala: padre ao ministrar as missas para os adultos, jovens e crianças, durante a leitura e a pregação; político em comício, reunião, debate na TV e no parlatório; locutor de rodeio na interação com a platéia, na oração, agradecimento e narração do rodeio propriamente dito; pastor evangélico durante “sessão de descarrego” e a oração; feirante e operador de telemarketing durante as falas persuasivas, informativas e decoradas. Essas situações de pluralidade de expressão no mesmo falante foram registradas, em vídeo, e analisadas visual e auditivamente.

A diferença do uso da fala não ocorre somente entre o uso profissional e coloquial, mas há mudanças estilísticas em vários parâmetros da fala e da voz numa analise intra-sujeitos quando considerado a situação de comunicação (local, assunto e tipo de publico). O estilo oral é realizado com a combinação e variação de muitos fatores prosódicos e gramaticais, entre eles: dentro os quais são destacados: entoação; taxa de elocução; uso e o tempo de ocorrência das pausas preenchidas, silêncios e alongamentos de sons; qualidade da voz, tipo e grau de fluência; fala hipo e hiperarticulada; intensidade; escolha do vocabulário e da gramaticalidade; reduções segmentais e proeminências dadas no discurso.

A assessoria fonoaudiológica aos profissionais da voz deve considerar as questões estilísticas fora do âmbito da norma e da categorização genérica analisando todos os usos profissionais da fala de seus clientes.

Escrito por Izabel Viola às 10h23
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Voz e Ambiente

In: Anais do V Congresso Internacional, XI Congresso Brasileiro e I Encontro Cearense de Fonoaudiologia, Fortaleza, 2003.

 

Oficina realizada durante as comemorações do Dia Mundial da Voz, em São José dos Campos, SP. Objetivos: a voz e seu relacionamento com a poluição sonora e do ar; ergonomia, planejamento vocal para o trabalho e estresse auditivo, corporal, vocal e emocional. Publico alvo não direcionado.

Objetivos específicos: Buscar referencias internas de agradável e desagradável através dos sentidos e do corpo. Vivenciar e informar-se sobre os cuidados da voz. Discutir experiências pessoais.

Objetivos instrucionais: Atividades realizadas de olhos fechados para evitar inibição.

Ruído:

Sons que geram tensão e estresse X relaxamento e alivio

1. Escutar e escrever (composição de sons intensos, repetitivos semelhantes aos encontrados em industrias). Suscitou: ansiedade, medo, aflição, pavor, incomodo etc.

2. Escutar e discutir (composição de sons suaves encontrados na natureza). Suscitou relaxamento, tranqüilidade e paz.

            3. Escutar e discutir (composição de sons encontrados na rua), suscitou a presença de sons agradáveis ou desagradáveis no cotidiano.

            4. Escutar e escrever (composição de sons encontrados casa), suscitou a falta de voz humana.

            5. Escutar e falar com e sem tampão auditivo uma seqüência de sons: rock sem tampão, som do rock com tampão, som clássico com tampão e som clássico sem tampão. suscitou que o som bom continua bom mesmo com tampão; som mascara a fala sendo preciso gritar.

 

Ergonomia – perceber posturas boas X ruins; postura X produção do som

Atividade de percepção corporal (postura, respiração e tensão) sob comando do orientador - Estatua – em posição de boa e ma confortabilidade.

 

Poluição do ar

            Discutir efeitos da poluição e poeira X respiração bucal; água; temperatura.

Atividade de respiração bucal para provocar ressecamento (Cachorrinho) e em seguida beber água. Discutir temperatura (frio) e vento.

 

Estresse

Vivencia ao longo de toda oficina.

 

Planejamento vocal

Discussão de folder relacionando os itens trabalhados à sua profissão.

Esta atividade foi modificada por falta de tempo, mas poderia se melhor aproveitada se fosse mantido o planejado, ou seja, separação em grupos para discussão de tópicos do uso da voz no seu trabalho e o que poderia fazer para melhorar. Apresentação do planejamento pelos integrantes do grupo e entrega do folder ao final.

Escrito por Izabel Viola às 10h22
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 Biossegurança: Proposta para o Estabelecimento de Rotina em Audiologia. Viola, IC; Biasi, CL. Pôster apresentado e publicado nos anais do X Congresso Brasileiro de Fonoaudiologia, Belo Horizonte, 2002.

A partir do artigo Souza; Tanigute&Tripple (2000) e da recomendação CFFa n. 004 (de julho de 2001), tornou-se necessário o desenvolvimento da percepção de risco em diferentes atividades profissionais da Fonoaudiologia e discutir os procedimentos pessoais e ambientais apropriados para proteção, em particular, do Audiologista.

Assim, com o objetivo de promover este debate, propomos etapas na rotina de trabalho em Audiologia que visem a proteção e promoção de saúde do profissional e de seu paciente.

A metodologia da pesquisa iniciou com a realização de um levantamento bibliográfico em Biossegurança. Este possibilitou a elaboração conjunta de um protocolo de rotinas para diferentes áreas da Audiologia, que posteriormente foi testado na prática diária de trabalho das dezessete fonoaudiólogas do curso de Especialização em Audiologia da Universidade. Após os debates promovidos no grupo estas rotinas foram sendo adaptadas.

A proposta final no estabelecimento das rotinas em Biossegurança para Audiologia abrange todas as áreas, a saber: Audiologia Clínica em procedimentos de Audiometria e Imitanciometria; Indicação e Adaptação de Aparelho de Amplificação Sonora Individual (AASI), Vestibulomentria; Potencial de Tronco Encefálico (BERA) e Emissões Otoacústicas; Audiologia Ocupacional e Atendimento Hospitalar á Neo-natal.

Apresentamos estratégias a serem usadas em cinco momentos: na higiene pessoal e imunização do profissional, no inicio e no final de cada atendimento, entre pacientes, na limpeza geral da clinica e consultórios e na higiene dos materiais e instrumentos usados nos exames. Por fim, apresentamos uma proposta sobre os produtos a serem usados na desinfecção de materiais e superfícies, a freqüência e modo de realização da limpeza.

Concluindo, a proposta tem se mostrado eficaz e de fácil aplicação. Neste momento que a Biossegurança desponta ao Fonoaudiólogo como uma nova área de estudo e pesquisa é necessário discutir e desenvolver hábitos para a segurança do profissional e de seu cliente pertinentes á prática da área.

 

Os interessados em receber a tabela onde descrevemos os materiais, a freqüência e modo de realização da limpeza escrevam para mim. 

 

Escrito por Izabel Viola às 10h17
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15/09/2006


A CARREIRA DOCENTE E ALTERAÇÃO VOCAL: dados de freqüência, início e quantidade de fala diária

In: X CONGRESSO BRASILEIRO DE FONOAUDIOLOGIA, Belo Horizonte, 2002

 

Com o objetivo de investigar as queixas vocais em professores sob a ótica da carreira profissional e da quantidade de fala diária, 155 professores da rede municipal de ensino da cidade de São José dos Campos (SP) responderam a um questionário com oito questões fechadas. Os dados foram submetidos à análise estatística. Dos participantes, 146 eram mulheres e 09 homens. A média em anos de docência foi de 13,45, variando de 01 a 27 anos. Predominantemente estes professores (116 – 74,83%) atuam em uma escola, sendo relatados a atuação em duas escolas somente por 19,35% (30).

Admitiram problemas de voz ao longo da carreira 60% (93) professores, sendo 94,62% (88) mulheres e 5,37% (5) homens.

A freqüência relatada foi várias vezes ao ano para 36,55% (34); uma vez ao ano para 23,65% (22) e a cada seis meses para 20,43% (19). Dos professores de vozes alteradas, 75,26% (70) atuam em uma escola e 19,35% (18) em duas escolas e falam 04 horas por dia (49,46%- 46 professores) em seu ambiente profissional. Os problemas vocais iniciaram até o no quinto ano de trabalho para 58,06% (54) e até o décimo ano para 24,73% (23) professores.

         Assim, concluímos que problemas vocais foram relatados em 60% de professores da rede Municipal, que utilizavam a fala por quatro horas diárias em ambiente profissional. Estes ocorreram várias vezes ao ano e se iniciaram mais freqüentemente no quinto ano de trabalho.

Escrito por Izabel Viola às 13h32
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